Retrato do meu amigo Bruno, entre-chopes. O sujeito mais engraçado que eu conheço.Saravá!

Certa vez estava descendo por uma rua de bicicleta, muito rápido, ouvindo Radiohead a máximo volume, extasiado. Estava feliz, adrenalina no sangue, dia bonito, enfim, contagiado de boas sensações. Pela rua também passavam muitos carros à alta velocidade e num determinado momento tive uma visão de um carro batendo no guidão da bicicleta e me vi voando em direção à morte. Vi minha cabeça se abrir no meio-fio e me terminar assim.Escapam-me as canções de primavera
de loiros delírios de desencontro.
Melodia de botânico outubro,
harmonia que afina-se em outro.
Queima-me a pele num arranjo truncado
dum dueto de fagulhas candentes:
não fazem incêndio nem mito
apagam-se na noite inconsequente.
És lume à conveniência de teu coração pendular.
Teu botão cercado se abre tardio,
urge em beleza de mulher do mar.
É-me flor, mas o vaso é-me alheio
Candil cantoria que aflige-me o coração!
Não ouves meu úmido gemido de primavera
enquanto ressecas em outra estação?


