quarta-feira, dezembro 03, 2008

de bicicleta, uma reflexão sobre a morte

Certa vez estava descendo por uma rua de bicicleta, muito rápido, ouvindo Radiohead a máximo volume, extasiado. Estava feliz, adrenalina no sangue, dia bonito, enfim, contagiado de boas sensações. Pela rua também passavam muitos carros à alta velocidade e num determinado momento tive uma visão de um carro batendo no guidão da bicicleta e me vi voando em direção à morte. Vi minha cabeça se abrir no meio-fio e me terminar assim.

Continuei correndo, sem me abalar com a visão e cheguei bem em casa. Mas esse dia me marcou muito. Apesar de nada ter acontecido, algum mecanismo desencadeou-se em meio à alegria que sentia e de algum modo me colocou perante a possibilidade seca da minha própria morte. Sem aviso, a alegria poderia em um instante se transformar num profundo medo e depois viria o silêncio. Nada épico nem mitológico, só seco, aleatório. Curioso que só me preenchi com mais vontade de pedalar e seguir em frente. Eu não poderia ter ou merecer nenhum aviso prévio do que poderia vir um segundo adiante. Acho que poderia ter parado, mas não tive medo, logo segui. Qualquer coisa como "aproveitar enquanto estamos aqui". Se pudesse, aumentaria o volume da música, mas já estava no máximo.

Claro que isso é uma baboseira sem valor algum, porque é óbvio que eu não sei nada sobre morte. Nunca tive uma experiência de chegar perto de morrer.

Logo após tive a idéia de fazer uma história em quadrinhos sobre um ciclista que morre num acidente, mas nunca cheguei a produzi-la. O máximo que fiz com essa idéia foi escrever isso aqui. Bem, creio que já é um começo.

2 comentários:

Pavitra disse...


mas, igor, seria ótimo se pudéssemos nos lembrar sempre dessa possibilidade - que podemos morrer a qualquer instante, sem aviso prévio...
daríamos mais valor à vida...
eu tento lembrar!

mas escreve sobre isso, sim... :)

beijos!

Leandro Borges disse...

Eu vejo essas cenas o tempo todo. Lembra que te falei que queria desenhar mortes impossíveis?