sexta-feira, outubro 31, 2008
Semente de Outubro
de amor noturno,
abafados desejos
de cumprimento soturno.
A longa jornada desde que conheci
teus loiros encantos
jamais esqueci.
Que vozinha derrama
com teu canto leitoso!
Dois anos de espera,
uma lembrança sem gosto.
Mas brilha teu rosto, teu gesto fascina:
uma paixão reacende,
meu peito se anima.
Tua simpatia é um doce manto de luz
se estende e me abraça,
me chama e seduz.
Com inocência indecente
uma noite de entrega,
uma noite somente.
Talvez esses versos,
essa adoração,
sejam cores que exprimem
minha gratidão.
As notas que pintam
uma fantasia
que talvez esses versos
lhe tragam algum dia;
uma boba cadência,
uma chuva que ascende
e cai em teus olhos
de ausência presente.
Amiga e paixão
que caminho a passo tímido
você me acena na saída
e de costas diz adeus
Foram muitos os meus erros
Lamentando não entendo
esse remendo um pouco trágico
que chegou aonde deu
Essa história já é velha
esse filme já passado
esse choro lento e mudo
que choramos lado a lado.
Mas não foi só de amores
que soubemos dar a mão
muitas cores da saudade
também vêm da amizade
e retratam com ternura
a amiga e a paixão
Que separação
poderá extrair
da amante de outrora
a amiga por vir?
Mas se nessa nova estrada
Você acha que está bem
mesmo que não diga — vem!
lembra que éramos melhores amigos também?
terça-feira, outubro 28, 2008
segunda-feira, outubro 27, 2008
O que que você vê daí, amigo?

Este desenho é baseado num homem que vive em Laranjeiras. Me impressiona como às vezes ele se senta numa esquina e fica muito tempo somente observando quem passa. Seu olhar é muito incisivo, consciente, enquanto permanece imóvel. Não consigo imaginar o que passa por sua cabeça, e nunca tive coragem de ir falar-lhe qualquer coisa diferente de "bom-dia".
Someday, maybe....
Ramona, come closer
Shut softly your watery eyes
The pangs of your sadness
Will pass as your senses will rise
The flowers of the city
Though breathlike, get deathlike sometimes
And there's no use in tryin'
To deal with the dyin'
Though I cannot explain that in lines.
Your cracked country lips
I still wish to kiss
As to be by the strength of you skin
Your magnetic movements
Still capture the minutes I'm in
But it grieves my heart, love
To see you tryin' to be a part of
A world that just don't exist.
It's all just a dream, babe
A vacuum, a scheme, babe
That sucks you into feelin' like this.
I can see that your head
Has been twisted and fed
With worthless foam from the mouth
I can tell you are torn
Between stayin' and returnin'
Back to the South
You've been fooled into thinking
That the finishin' end is at hand
Yet there's no one to beat you
No one to defeat you
'Cept the thoughts of yourself feeling bad
I've heard you say many times
That you're better than no one
And no one is better than you
If you really believe that
You know you have
Nothing to win and nothing to lose
From fixtures and forces and friends
Your sorrow does stem
That hype you and type you
Making you feel
That you gotta be just like them.
I'd forever talk to you
But soon my words
They would turn into a meaningless ring
For deep in my heart
I know there is no help I can bring
Everything passes
Everything changes
Just do what you think you should do
And someday, maybe
Who knows, baby
I'll come and b cryin' to you.
To Ramona,
Bob Dylan
Is it easy to forget?
I can't understand
She let go of my hand
An' left me here facing the wall
I'd sure like to know
Why she did go
But I can't get close to her at all
Though we kissed through the wild blazing nighttime
She said she would never forget
But now mornin's clear
It's like I ain't here
She acts like we never met.
It's all new to me
Like some mystery
It could even be like a myth
But it's hard to think on
That she's the same one
That last night I was with
From darkness, dreams are deserted
Am I still dreamin' yet?
I wish she'd unlock
Her voice once and talk
'Stead of acting like we never met
If she ain't feelin' well
Then why don't she tell
'Stead of turnin' her back to my face
Without any doubt
She seems too far out
For me to return to or chase
Though her skirt it swayed as the guitar played
Her mouth was watery and wet
But now something has changed
For she ain't the same
She just acts like we never have met.
If I didn't have to guess
I'd gladly confess
To anything I might've tried
If I was with her too long
Or have done something wrong
I wish she'd tell me what it is, I'll run and hide
Though the night ran swirling and whirling
I remember her whispering yet
But evidently she don't
evidently she won't
She just acts like we never have met.
I'm leavin' today
I'll be on my way
Of this I can't say very much
But if you want me to
I can be just like you
And pretend that we never have touched
And if anybody asks me: "Is it easy to forget?"
I say, "It's easily done
You just pick anyone
And pretend that you never have met.
I don't believe you (She acts like we never have met),
Bob Dylan
Saudade

A saudade inspira
meu reino de galhos secos,
folhas mortas e cascas de inseto.
memórias desidratadas da vida de outrora
traços que desvanecem e
esquecem-se no tempo.
A terra é árida, o ar imóvel
sufoca de calor e paralisia
os sonhos são desejos frustrados
incapazes de levantar e criar vida.
As montanhas não se prestam a subir
Do alto o horizonte enche o futuro de desesperança
a mirar o deserto desolado de lugar-nenhum.
Contudo, certa vez, do alto do monte
(essa atitude de sofrimento auto-imposto:
prostar-se diante desse horizonte cinza, sabendo a dor que suscita)
pensei ter visto uma nova origem para a vida.
Assustado, fugi em desponderada corrida.
Na planície, abraço a ausência.
A saudade são belas penas que desprendem-se,
flutuam no ar e caem no chão,
largadas por abrupta ave que migra em errônea estação.
sábado, outubro 25, 2008
A canção corre no tempo

te convidei para dançar
uma melodia pura e sincera.
Nos tocamos e apaixonamos
embalados pela música que sequer sabíamos
éramos nós os instrumentistas.
O amor inflamava e ardia
com canções de estações
de flores nuvens água e lua
que alegria.
Mas é triste o fim
é tão triste o fim.
Os passos doces tornaram-se austeros
embaralhadas, as pernas tropeçaram-se
quando vimos que não sabíamos mais cantar.
Resta a triste saudade
pintada por recitais casuais na casa vazia:
murmúrios lentos de uma letra tão bonita
levada pelo vento e agora esquecida.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Lamento destruído (ao ciúme)
Daqueles espelhos sem margem
Facetam a vergonha e me escondo de mim.
Não aprendo, sou burro e teimoso!
Tu dizes-me em teus olhos—ouço em teus beijos
Singela certeza de duração—nossos gostosos movimentos apaixonados
Queres-me, sou eu!
Não evito— Antes era ele, esse ele
que me persegue ou o persigo,
me flagelo em vão perigo
meu ciúme dá-me abrigo.
Precária moradia, de alicerce pantanoso,
de vigas tortas e madeira podre.
Como fede!
Não procuro nem menciono.
(mentira)
Calado, engulo seco;
escondido, o alimento
Vício de doente.
Sou irracional, burro e teimoso,
minha árvore de fruto e desgosto.
Ruborizo em cinza controle
fria moderação; não honestidade.
Sou levado, em forçada cessão
a calar-me bem como uma bonita montanha
dessas que desenha a torto o horizonte—
testemunha tudo, guarda quieta,
as gotas que caem e não escorrem por fora
limpam sua alma, e chora incessantemente.
Ai, silêncio choroso!
Gritaria:
—Não podes mais, minha doce proibida!
Meu coração, no entanto, proclama-te livre
Estás aqui porque queres.
Permanecerás bem como tal.
Como uma poça suja na calçada, contudo,
que forma-se depois de tão indesejada tempestade,
gostaria que evaporasse e sumisse,
drenado por um ralo de fenda obscura
de destino desconhecível.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Luiza de vento e verdade

És toda bela — em inteira longitude.
Os bracinhos finos
estreitas estradas de carinho
coloridas com som de flauta doce
de córrego lento.
O pescocinho altivo
com cheiro de flor silvestre
que ninguém jamais plantara
por ser natural,
lá estava.
Um desenho alto e cândido
do cume, os fios escorrem uma queda
de liquidez luminosa e aérea.
Duas leitosas luzes erguem-se
e culminam em pétalas de doce rosáceo.
Do teu centro de mistério e sedução
estende-se um glorioso campo de alvo ventre
uma topografia incompreensível e inconstante
me perde — eu, ser contemplativo
Neste vale bravado, contudo intocado.
Toco, entre gargalhadas, ares e sonhos
você estremece e contigo tombo
A pálida tez, de branco amoroso
sinuosa, deságua e arrebata meus sonhos,
altera meu curso
Fascina-me em cada linha,
gesto e ponto.
Tua boca firme escorre
ali me encontro, nada entendo — venero
minha mente desanda
enquanto teu sorriso alvorece meu dia
destrói as nuvens cinzas da rotina.
apesar de nascer de contidos lábios de fresca argila
chegam com cheiro de puro desconcerto
arrepia-me e preenche-me de ansiosa alegria.
Tuas pernas caem como duas chuvas de vento
Batem no chão e levanta
nascem como o ipê dourado estampado
em límpido oceano de céu azul.
Casam-te à terra como num romance apaixonado.
Abster de mim
Sem pensar, entregar.
Sua boca, um instante!
Por toda minha vida, queria,
fosse esse todos os instantes!
Teus lábios me consomem e eu viro beijo
só beijo
Num instante,
em teus braços
nó bendito indecifrável!
Nem tu nem eu, somos além —
Tirara de mim tudo que sei
tudo que tenho
Diante de meu acanhado pedido
tu me combina ao teu peito
eu te combino aos meus olhos
me amarro a tua língua
então não somos mais pronomes, nomes
dançamos de forma incoerente
no céu brilhante de nossas bocas.
Vem meu furacão espontâneo
rasga minha carne,
no meu centro, quero teu aconchego
quero teu olho.
Ah — um instante —
que sejam todos eles!
quinta-feira, novembro 23, 2006
Uma profunda tristeza
num buraco, com fundura dura
maior que meu braço, ora —
maior que meu esquálido corpo
a tristeza, como solo fértil de meu espírito
dando os nutrientes, me fazendo vivo.
Esse sou eu, hoje que sinto
ontem não senti, no entanto.
hoje assim, será um eu
definitivo?
meu núcleo vivo, áspero e ríspido
gera meu amor, triste e lindo
sem juízo, dum lado proutro
não me viro —
no meio, porém, não me sinto —
Tendo prum lado. O outro,
admiro.
Você é perfeita porque é
Que nome! Nem mal me entenda — épico, ainda que só nome
Tua boca, um carinho sincero
desliza, some
A memória, sem palavras, incerta
ainda precisa, pois desejo
apego
Ardente, te evoco!
Como o desconhecido, me vens
ainda que com teus familiares bracinhos,
me surpreendo como num novo começo
sem nome, só mistério.
eu, redenção
Os olhos do meio —
como se existisse além do tempo —
te vejo e conheço, renego
esse mundo de pares.
a ti, não se aplicam as dualidades
Não tens nome
A mim, é experiência, de sentir
vivo, viva! Meu limiar é tua bela face que ilumina
Isso é tudo, me apetece — somente tu
não tem nome
És o que és, isso é tudo.
Te mergulhei, todo
Me cativou, toda
Sem uma vírgula.
aprender, desaprender — queria estar
remotos tempos de ingenuidade
extrema; desbravador universal
colhendo insetos,
plantando fantasias despretensiosas.
As mãos — olhos, que olhos!
Pernas, turbinas cósmicas
a mente, que sequer estava lá.
expande-se. Mais que uma estrela,
mesmo que em pequenina cabeça.
um cristal brilhante poderoso, fino
diminuto, frágil
suscetível...
Dançando no vale infinito
a voz, o grito!:
zumbi, olha o zumbi
volta zumbi
nada tens a fazer por ai.
Como a sequoia gigante, fulminada,
à terra regresso
minha mente, agora existe e
se resguarda.
Da novidade à proibição
o abraço afetuoso da proteção
contra a própria vida.
Pai, que fizestes contigo!
Tentaste fazer comigo
agora,
tenho dois trabalhos.


